MPEs paulistas completam 20 meses de quedas seguidas no faturamento

Recuo em agosto foi de 10,6% ante igual mês de 2015, mas confiança segue subindo, pelo quinto mês consecutivo

Por DaCidade 14/10/2016 - 13:17 hs
Foto: Divulgação

Em agosto, as micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas chegaram a 20ª queda mensal consecutiva no faturamento. De acordo com a pesquisa Indicadores Sebrae-SP, a receita real (já descontada a inflação) caiu 10,6% em relação ao mesmo mês de 2015. Em conjunto, as MPEs do Estado faturaram R$ 48,6 bilhões em agosto, ou R$ 5,8 bilhões a menos na comparação com um ano antes. O resultado negativo é consequência da fraca demanda na economia, com desemprego em alta.

Por setores, as quedas no faturamento em agosto de 2016 sobre agosto de 2015 foram de 13% na indústria, 12% nos serviços e 8,7% no comércio. O recuo na receita das MPEs atingiu todas as regiões. O interior e o Grande ABC registraram as reduções mais acentuadas, de 15,5% e 14,4%, respectivamente no período, por conta da base de comparação, já que a receita nessas regiões havia caído menos em agosto de 2015. Na região metropolitana de São Paulo, o faturamento encolheu 5,5%. As MPEs da capital apresentaram diminuição de 1,7% na receita, em agosto sobre agosto do ano passado.

“A confiança do consumidor brasileiro, apesar de ainda estar em um nível baixo, aumentou e a melhora no otimismo é um dos sinais de que caminhamos para a recuperação da economia”, afirma o presidente do Sebrae-SP, Paulo Skaf. “O faturamento dos pequenos negócios ainda está no campo negativo, mas o País está voltando aos trilhos do desenvolvimento e da eficiência; é uma questão de tempo para o Brasil retomar a criação de empregos, dando novo fôlego às micro e pequenas empresas.”

No acumulado de janeiro a agosto sobre igual intervalo de tempo de 2015, a pesquisa registrou uma queda de 0,5% no rendimento real dos empregados das MPEs. Na mesma comparação, houve reduções de 3,1% no total de pessoal ocupado e de 6,5% na folha de salários paga pelas MPEs.

“O consumo permanece desaquecido, já que o desemprego ainda está alto e a renda real do trabalhador está menor. Isso mantém as compras das famílias brasileiras em níveis baixos, prejudicando a receita das MPEs. A previsão é que esse cenário apresente alguma melhora em 2017, o que trará benefício direto para os pequenos negócios", diz o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano. 

 

MEIs

Os Microempreendedores Individuais (MEIs) registraram queda de 7,5% no faturamento real em agosto na comparação com o mesmo mês de 2015. Foi a 13ª redução na receita, na comparação de um mês com o mesmo mês do ano anterior. A receita total dos MEIs em agosto foi de R$ 3,7 bilhões, o que significa R$ 295,2 milhões a menos do que um ano antes. Por outro lado, o porcentual de queda é menor do que nos outros meses da série.

Os MEIs do comércio tiveram recuo de 10,3% no faturamento em agosto de 2016 ante agosto de 2015. Em serviços, a queda ficou em 6,5% e, por fim, os MEIs da indústria viram seus ganhos diminuírem 4,6%.

Os MEIs do interior de São Paulo tiveram redução de 8,2% no faturamento real. Já os MEIs da região metropolitana viram a receita encolher 6,9% em agosto deste ano ante agosto de 2015. 

 

Para os próximos seis meses

 Em setembro, 51% dos donos de MPEs afirmaram esperar estabilidade do faturamento da empresa; em setembro de 2015, essa era a opinião de 60%. Já a parcela dos que aguardam melhora aumentou sensivelmente: eram 20% um ano antes e agora são 34%.

Com relação à economia, 45% falam em manutenção no nível de atividade ante 40% em setembro do ano passado. O grupo dos que aguardam melhora passou de 14% para 38% no período. Os que acreditam em piora somam 9%, bem abaixo dos 38% que assim pensavam um ano antes.   

Entre os MEIs, 54% esperam melhora no faturamento para os próximos seis meses; há um ano essa era a expectativa de 47% deles. Já 36% falam em estabilidade ante 39% um ano antes e 7% creem em redução da receita contra 11% em setembro de 2015. 

Na visão de 47% dos MEIs, a economia brasileira vai melhorar nos próximos seis meses. Um ano antes, 24% pensavam assim. Outros 38% falam em estabilidade ante 30% em setembro de 2015. Contudo, houve forte redução dos que vislumbram piora: eram 43% há um ano e agora são 11%.

 

A pesquisa

A pesquisa Indicadores Sebrae-SP foi realizada com apoio da Fundação Seade. Foram entrevistados 1,7 mil proprietários de MPEs e 1 mil MEIs do Estado de São Paulo durante o mês de referência. No levantamento, as MPEs são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 3,6 milhões. Os MEIs são definidos como os empreendedores registrados sob essa figura jurídica, conforme atividades permitidas pela Lei 128/2008. Os dados reais apresentados foram deflacionados pelo INPC-IBGE.

 

FONTE: SEBRAE-SP