Botucatu e mais 3 cidades são reconhecidas como o Vale do Silício do interior

Segundo a Endeavor, uma organização de apoio ao empreendedorismo, há 3 000 empresas de pequeno e médio porte na cadeia do agro em cidades como Campinas, São Carlos, Botucatu e Piracicaba

Por DaCidade 02/09/2016 - 08:06 hs

Botucatu e mais 3 cidades são reconhecidas como o Vale do Silício do interior
Imagem divulgação

Segundo a Endeavor, uma organização de apoio ao empreendedorismo, há 3 000 empresas de pequeno e médio porte na cadeia do agro em cidades como Campinas, São Carlos, Botucatu e Piracicaba — um aumento de 200% em relação a 2009. O que motiva a tendência? Uma razão forte é a consistência da pesquisa em ciências agrárias e biotecnologia feita na região.

A pesquisa é o ponto de partida de boas ideias que vêm sendo postas em prática por jovens empreendedores focados na geração de negócios com alto potencial de crescimento.

Das universidades públicas locais (as estaduais USP, Unicamp e Unesp, e a federal UFSCar) e dos laboratórios da estatal de pesquisa Embrapa na região saíram 21 000 artigos científicos desde 2011, segundo o SciVal, buscador de pesquisas acadêmicas da editora Elsevier.

É uma produção 25% superior à de universidades como Stanford e Berkeley, embriões do Vale do Silício, na Califórnia, o mais conhecido reduto de startups no mundo. Somente a USP publicou 9 000 artigos em ciências agrárias desde 2011. É 30% mais que toda pesquisa em ciências agrárias de Israel, país líder mundial em fertilização de terras áridas.

O Brasil inova no campo desde os anos 70, com o melhoramento de solo no Cerrado comandado por órgãos públicos como a Embrapa. “Agora a inovação também virá de startups”, diz Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e chefe do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas. “O interior paulista, pela concentração acadêmica, é a vanguarda desse processo.”

A novidade tem chamado a atenção do capital de risco. Em julho, a empresa de biotecnologia Monsanto anunciou um fundo em parceria com a Microsoft para aportar 300 milhões de reais em empresas de setores em que o Brasil apresenta vantagem competitiva — o agronegócio à frente deles.

A Desenvolve SP, agência de investimentos do governo paulista, tem 330 milhões de reais, levantados em 2010 com o BNDES e investidores privados, para aportes em empresas inovadoras de São Paulo. Uma das investidas foi a Promip, que levou 4 milhões de reais no fim de 2014. Não foi o primeiro aporte no negócio.