Treinos de Cuca dão resultado, e Palmeiras mostra variações; análise

Time muda sistema na goleada sobre o Atlético-PR, usa movimentação de Jean e Tchê Tchê para confundir marcação e pontas rápidos municiados por Cleiton Xavier

Por DaCidade 15/05/2016 - 13:32 hs
Foto: Marcos Ribolli
Treinos de Cuca dão resultado, e Palmeiras mostra variações; análise
"Estamos juntos rumo ao título": torcida do Verdão confiante na conquista do Brasileirão

"Estamos juntos rumo ao título". A frase formada por torcedores do Palmeiras na arquibancada da arena, na estreia do Brasileirão, contra o Atlético-PR, no último sábado, dão o tom da expectativa da torcida após a promessa de Cuca. A meta é o troféu. E a goleada por 4 a 0 (veja os gols no vídeo acima), com volume contundente, principalmente no segundo tempo, mostra que o período de quase três semanas de treinos deu resultado e que a esperança do técnico e da torcida é justificada.

– Isso faz muita diferença no futebol. Qual treinador que não queria trabalhar como a gente trabalhou? – comentou o técnico após a vitória.

Variação de esquema e movimentação

Cuca treinou o Palmeiras para iniciar o jogo no 4-2-3-1. Cleiton Xavier, enfim livre das lesões, foi preparado para ser o homem de ligação. Sem opções de passe, a criatividade do meia seria limitada. Mas o sistema do treinador privilegia seu camisa 10: ele tem Gabriel Jesus, aberto pela esquerda, e Róger Guedes, pela direita, como alternativas de velocidade. Assim, o meia teve espaço para organizar e virar o dono do time.

Palmeiras varia para 4-1-4-1 contra o Atlético-PR (Foto: GloboEsporte.com)Palmeiras varia para 4-1-4-1 contra o Atlético-PR

Foi justamente a triangulação entre eles que originou o primeiro gol do Verdão. Cleiton lançou Gabriel em profundidade pela esquerda, Guedes acompanhou a jogada do lado oposto, movimentação correta, e completou para o gol a assistência de Jesus.

Pelo lado direito, Cuca também treinou o time para Jean e Tchê Tchê inverterem posições de forma natural durante o jogo. Lateral-direito e volante se revezaram ao longo da partida nas duas funções: quando um fecha no meio, o outro abre na ponta.

Além desse movimento, a equipe também variou o sistema de jogo com a bola rolando. O 4-2-3-1 em alguns momentos se tornou 4-1-4-1. Para isso, Matheus Sales recuava como único volante à frente da defesa, e Tchê Tchê se incorporava à linha de quatro pelo lado esquerdo.

Respaldado pelos companheiros de meio de campo, Cleiton Xavier teve liberdade para se movimentar por todos os lados e criar as principais chances. Assim ele tabelou com Gabriel Jesus, recebeu de Barrios e serviu o próprio Jesus no segundo gol.

Palmeiras joga com linhas próximas diante do Atlético-PR (Foto: Rodrigo Faber)Palmeiras joga com linhas próximas e compactado diante do Atlético-PR (Foto: Rodrigo Faber)

Bolas paradas ensaiadas

Os treinamentos em Atibaia também serviram para Cuca ensaiar jogadas de bolas paradas. Parte do repertório foi mostrado contra o Furacão. Em uma delas, Egídio e Cleiton Xavier ficaram na bola para confundir. O lateral bateu aberto na segunda trave, e Gabriel Jesus, por trás da defesa, entrou livre para cabecear. O atacante tentou o gol direto, mas poderia ter servido Vitor Hugo, que só teria de completar para a rede vazia.

O escanteio proporcionado por essa jogada originou o terceiro gol, novamente em bola parada. Cleiton Xavier bateu pela esquerda, e Thiago Martins se antecipou na primeira trave para fazer 3 a 0 de cabeça. O time também tentou combinação diferente em escanteio curto com Vitor Hugo. A trama não deu certo, mas a ideia se mostrou interessante.

Reposição de peças

O recheado elenco permitiu a Cuca fazer substituições sem perder a qualidade da equipe no segundo tempo. Tanto que Alecsandro, no lugar de Barrios, e Rafael Marques, na vaga de Róger Guedes, participaram do quarto gol palmeirense. Os dois tabelaram e acharam espaço no meio da defesa do Furacão. Assim, Rafael Marques deu assistência para Gabriel Jesus, de pé esquerdo, fuzilar o goleiro Weverton e fechar a conta