Arena do boxe é entregue, e prefeito brinca ao atender celular de Nuzman

Pavilhão 6 receberá também o vôlei sentado. Bem-humorado, Paes afirma que vai entregar Arena Carioca 2 no sábado e Velódromo na primeira quinzena de junho

Por DaCidade 11/05/2016 - 14:18 hs
Foto: André Durão
Arena do boxe é entregue, e prefeito brinca ao atender celular de Nuzman
Arena do boxe e vôlei sentado e a projeção em vídeo com arquibancadas temporárias

Palco do boxe nos Jogos Olímpicos e do vôlei sentado nas Paralimpíadas, o pavilhão 6 do Riocentro, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi entregue nesta quarta-feira. Ao lado de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador do Rio 2016, e de Arthur Repsold, mandatário da operação brasileira da GL Events, o prefeito Eduardo Paes abriu o local para convidados e discursou para a imprensa. Bem-humorado, ele fez uma brincadeira com Nuzman. Quando o celular do presidente do Comitê Rio 2016 tocou, perto do momento da entrega das chaves, Paes pegou o aparelho e atendeu uma ligação da mulher do dirigente, Márcia Peltier. Logo depois, Nuzman brincou que "levaria bronca em casa à noite".

- Oi, Márcia, é o prefeito. Olha, Márcia, o seu marido está discursando aqui - brincou o prefeito Eduardo Paes, que pediu que Nuzman continuasse seu discurso para que a esposa dele soubesse que estava na entrega do pavilhão 6 do Riocentro.

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Eduardo Paes atende a ligação da mulher de Nuzman (Foto: André Durão)Eduardo Paes atende a ligação da mulher de Nuzman (Foto: André Durão)

 

Na cerimônia das chaves, ele fez um panorama geral das obras, disse estar tudo correndo muito bem e afirmou que vai entregar a Arena Carioca 2 neste sábado, além de voltar a prometer o Velódromo, obra mais complicada do Rio 2016, para a primeira quinzena do mês de junho. Paes comentou que essas entregas são "muito simbólicas" para a prefeitura diante do panorama político do país nesse momento, com a questão do possível impeachment da presidente Dilma, já que mostram que independentemente de quem estiver no comando do país durante os Jogos, a prefeitura "assumiu as responsabilidades".

Eduardo Paes e Carlos Arthur Nuzman na Arena do boxe Olimpíadas Rio 2016 (Foto: André Durão)Eduardo Paes atende o celular do presidente do Comitê Rio 2016 (Foto: André Durão)

- Não custa lembrar que isso aqui seria obrigação do Comitê Rio 2016, seria uma arena provisória e serviria somente para os Jogos Olímpicos. A prefeitura buscou recursos privados e legado permanente para a cidade. Fizemos esse acordo com a GL Events que tem a concessão do Riocentro e da Arena da Barra. Renovamos a concessão da Arena da Barra, e eles vão arcar com custos. Vai entrar ringue de boxe ainda e arquibancadas temporárias. Não fui eu que fiz essa concessão, foi o ex-prefeito César Maia, mas acho que foi uma decisão acertada. Administrado pelo setor público, era um modelo falido. Provamos mais uma vez que dá para fazer Olimpíadas sem pegar o dinheiro que as pessoas pagam de impostos e levantar uma arena para colocar para as pessoas lutarem boxe. Temos que usar o serviço público para o que é fundamental. Não licitamos porque esse espaço já era concedido para a GL Events há mais de uma década - falou o prefeito.

O palco do boxe e do vôlei sentado nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 começou a ser construído em setembro de 2015 sem qualquer divulgação oficial da prefeitura do Rio de Janeiro. O pavilhão 6 do centro de convenções tem 7.500 m². A obra inicialmente era prevista para ser temporária e sairia por cerca de R$ 45 milhões. Porém, a pequena diferença de custos, segundo a prefeitura, fez com que compensasse erguer uma estrutura definitiva, por R$ 51 milhões. 

Presidente das operações brasileiras da GL Events, Arthur Repsold explicou que o planejamento prevê que dentro do local haja um anfiteatro permanente. Inicialmente, a capacidade é de 5,5 mil espectadores, mas, com arquibancadas temporárias, pode chegar a 10 mil, conforme a necessidade.

- Esse pavilhão completa o projeto original do Riocentro, era o último espaço que ainda tinha e que estava previsto desde o início. Como legado, vamos transformar num anfiteatro permanente de 5,5 mil pessoas (podendo ter ampliações temporárias para até 10 mil). Para se ter uma ideia, o maior auditório da cidade hoje é o Theatro Municipal, que não chega a 3 mil. Isso vai poder permitir a realização de vários eventos, porque é uma carência da cidade um grande auditório. O Riocentro passa a ter uma oferta completa com pavilhões de exposições e um hotel que foi construído em frente. É um legado importante, é gerador de receitas para a cidade e estamos trabalhando esse mercado, mas não é algo imediato, não vai ter em 2017, porque geralmente esses grandes eventos têm um período de captação longo, então vamos ter nos próximos anos.

Arena do boxe Olimpíadas Rio 2016 (Foto: André Durão)Pavilhão 6 do Riocentro visto por fora (Foto: André Durão)

A instalação tinha previsão inicial de entrega para março deste ano, mas o prefeito inaugurou a obra somente nesta quarta-feira: isso se deu por conta da alteração, de uma estrutura temporária, para permanente . A obra do pavilhão 6 também não vai integrar a Matriz de Responsabilidades dos Jogos, atualizada em janeiro deste ano, e entrará apenas na conta final dos Jogos Olímpicos como "políticas públicas", pois, apesar de administração privada, é uma concessão da prefeitura. A Matriz de Responsabilidades é o documento que informa os responsáveis pelas obras das arenas esportivas, custos, prazos e estágio das construções.

As negociações para a construção da instalação envolveram a prefeitura e a GL events, empresa francesa que adquiriu a concessão do Riocentro em 2006 por 50 anos. Para convencer a GL a assumir a obra e as reformas dos outros três pavilhões que vão receber o tênis de mesa, o levantamento de peso e o badminton, a prefeitura ofereceu a renovação da concessão da Arena Olímpica por mais 30 anos, porém sem a necessidade de nova licitação para o próximo período. 

Arena do boxe Olimpíadas Rio 2016 (Foto: André Durão)Arena do boxe e do vôlei sentado vista por dentro (Foto: André Durão)

A GL explora a casa da ginástica nos Jogos desde 2007, e o contrato de R$ 27 milhões expira em 2016. Pelo novo acordo, a empresa deverá investir R$ 73 milhões nas reformas para os Jogos. Um valor menor, se for diluído anualmente: R$ 3 milhões no primeiro contrato e R$ 2,4 milhões no segundo.  

Confira o andamento das obras olímpicas no infográfico especial

Além dos R$ 51 milhões na construção do pavilhão 6, a GL também assumiu outras obras no Riocentro, no valor de R$ 12 milhões, e na Arena Olímpica, de R$ 10 milhões. No primeiro constam intervenções nos três pavilhões, como reformas na iluminação, no sistema de incêndio, melhoria na acústica e implantação de esgoto subterrâneo na área externa. No segundo estão previstas uma nova rampa de acesso, repintura externa, adequação nas instalações elétricas e na estação de energia, revisão no sistema de exaustão da subestação elétrica e nova iluminação.

Após a cerimônia de entrega das chaves do pavilhão 6 do Riocentro, Paes conversou por alguns minutos com os jornalistas e falou que irá mostrar à imprensa o Engenhão nesta quinta-feira. O prefeito ainda foi questionado, dentre outras coisas, sobre a possibilidade ventilada pelo Ministério Público de abrir um inquérito contra ele pelo desabamento da ciclovia Tim Maia, que vitimou duas pessoas fatalmente no dia 21 de abril.

- A prefeitura não pede nada, ela determina. O prefeito determinou que a secretaria de obras fizesse a ciclovia, que fizesse a Transolímpica, Transcarioca, o Porto Maravilha, foi tudo o prefeito. Não precisa nem de inquérito para isso. Eu já afirmei desde o início que as responsabilidades do município são minhas. Não sei fazer cálculo ou projeto, mas as responsabilidades do município são minhas - concluiu Paes.