Mulher sozinha no bar

Por Maria Luísa Bergamasco 25/07/2016 - 15:05 hs

Domingo chega. Ou quarta, ou terça, são dias definidos na semana. Mas a vontade de sair por ai sem rumo nunca chega com data certa. As vezes chega no fim do dia, quando a casa te sufoca, a cidade te aprisiona, e tudo que você quer é sair ver gente, sentar no bar e tomar uma cerveja, suco, café, comer uns bolinhos bem gordurosos. Mas nem sempre as pessoas ao seu redor tem a mesma vontade, há dias em que as amigas querem ficar no conforto dos lares, de pijama, comendo pipoca. Eu também tenho esses dias, mas são raros. Então, estou sempre a convidá-las para um chopp da promoção, para o sorvete na esquina da avenida. Entretanto, nunca deixei de ir porque elas não queriam. Nunca fui do tipo: “Amiga, eu só vou se você for”, porque se ela não for, eu vou do mesmo jeito. Sair sozinha tem sido um dilema de vida, tanto que é necessário explicar porque a gente sai sem determinada companhia, porque sair em sua própria companhia exala solidão.

É evidente que, sair com uma amiga (o) é sempre melhor. Há risadas, assuntos pendentes que não deram tempo de contar da última vez. É sempre uma festa, mesmo quando o bar está parado. Entretanto, se a minha inquietude começar a balançar a minha perna, quando eu sentir um “tremelique” dentro de mim e ninguém estiver a fim de colocar as bochechas na rua, eu vou sozinha. Pego meu carro, meus trocos do bolso, sento no bar, escuto música boa e tomo cerveja. Para muitos eu sou motivo de pena, para outros sou corajosa. A verdade é que eu não sou nem um, nem outro. Eu só faço o que eu quero, quando posso fazer. Mas o problema é o machismo nosso de cada dia. Eu sou uma mulher, sozinha num bar. Por consequência, ou estou solitária, ou à disposição. Eu não posso simplesmente ficar ali por alegria, por sossego, pela música.

Me oferecem bebidas, eu nego. Me passam telefones, eu jogo fora. Me interrogam sobre “por que eu larguei do meu namorado”, eu digo que nunca tive um. E assim segue uma série de olhares curiosos e depreciativos em minha direção. Quando na verdade, eu só estou ali pelo mesmo motivo que você, para dispersar dessa maçante realidade. A diferença é que se eu fosse um homem, ninguém pensaria nada, e eu nem precisaria escrever sobre isso.